Old Books Room: a psicodelia de um rock sem rótulos

old books room

É domingo mas os trabalhos não param por aqui, entrevistei uma banda mega phoda de rock alternativo, uma banda um tanto psicodélica.

Ricardo Ferreira (guitarra e voz) conta pra gente nos detalhes como começou os rolês, quais influências eles tiveram e têm até hoje, como está a cena independente em Fortaleza, o que mudou de um álbum para o outro, e muito mais coisas que vocês poderão ler na entrevista logo aí em baixo. Vaaamos lá… ahhh a banda é a OLD BOOKS ROOM!!!!

MR – Como e onde nasceu a banda Old Books Room?

Ricardo Ferreira – A Old Books Room é uma banda que nasceu em 2011 em Fortaleza CE, mas a 5 anos atrás já ensaiávamos e amadurecíamos a ideia de levar música de uma maneira mais séria, além dos ensaios somente em prol da diversão. Na verdade a gente sempre quis mais, e desde o começo sempre escrevíamos nossas próprias canções. Boas ou ruins o que importava era que estávamos criando nossa própria música.

MR – Qual o estilo e bandas que influenciaram para a formação da banda?

Ricardo Ferreira – Umas das coisas que mais gostamos de pensar sobre a banda é que nunca procuramos definir a OBR como grupo que segue só uma vertente. Nosso som foi moldado bastante ao longo do tempo e das nossas bandas “preferidas” de cada período, acho que é uma coisa natural, se guiar por caminhos que uma galera massa abriu, mas sempre tentando mostrar nossa própria cara, e felizmente acho que estamos conseguindo isso. O mais legal no nosso quinteto, é que cada integrante curte gêneros diferentes e assim conseguimos trazer uma gama maior de diversidade pras músicas. Mas tivemos sim bandas que “moldaram” mais nosso jeito de compor e pensar música, posso citar algumas como Nirvana, Smashing Pumpkins, Placebo, Interpol, Verdena, New Order, além de muitos nomes dos anos 90 até o momento como toda a galera do Shoegaze/noise e grunge. Atualmente mergulhamos um poucos nos anos 80 e nos sons mais psicodélicos, que foram forte influência pro nosso novo trabalho.

MR – O que inspiram vocês a compor?

Ricardo Ferreira – Nossa realidade, tudo e todos que nos cercam são figuras frequentes nos nossos temas. A inspiração maior vem do que sentimentos em relação a vida, dos erros, acertos e dos problemas. Mas acho que mesmo partindo de uma visão um pouquinho “egoísta”, nossas músicas refletem bastante a realidade social, já que tudo parte da interação com o Mundo. Eu particularmente vejo minhas músicas como a mais importante válvula de escape, lá deposito algumas coisas e realmente consigo me expressar muitas vezes me livrando de sentimentos que fazem um mal danado.

MR – Qual o maior sonho da banda?

Ricardo Ferreira – Quando se é moleque o maior sonho é sempre conquistar o Mundo, mas acho que esse anseio ficou um pouquinho para trás hehe. Hoje nosso sonho, (acho que é o sonho de todos que levam música a sério), é conseguir viver a base dela, e através disso conseguirmos nos manter compondo e tocando país a fora. Fazer turnês legais, entrar na rota dos grandes festivais, conseguir aumentar e ter uma galera legal e maior pra nos acompanhar. Enfim, é tornar música a principal ferramenta pro nosso sustento.

MR – Como vocês veem a cena independente nos dias de hoje, tem espaço para todo mundo? Como é isso por aí?

Ricardo Ferreira – A cena alternativa sempre foi um grande mistério, pra uns mais simples e pra outros complicado. Nunca dá pra definir com exatidão o que vem acontecendo justo porque acontece muita coisa todos os dias. é até clichê falar, mas a internet ajudou todo mundo a ter voz e a conseguir uma plataforma legal pra colocar suas músicas, até o próprio fato de se gravar música com qualidade se tornou mais fácil, e hoje qualquer pessoa consegue fazer isso no seu computador. Mas ao mesmo tempo em que algumas coisas se tornaram mais fáceis, outras vem piorando. Vemos algumas casas de show fechando, o público diminuindo em eventos e o interesse mudando, mas acho que isso não é novidade do nosso tempo, sempre foi assim, nosso dever é mesmo pensar em formas diferentes de se conseguir novos espaços e de atrair o público. Esse cenário é bastante igual em todo o país, e em Fortaleza não é uma exceção. Embora uma gama gigantesca de artistas incríveis cresça todos os dias, hoje tá complicado de se conseguir espaços legais e que deem um suporte legal para vocês tocar, nós particularmente estamos buscando a saída no “Faça você mesmo”, levando nossos shows pra praça pública, somando forças com outras bandas e tocando na rua mesmo, lugar onde sempre cola um público legal e onde conseguimos vender nosso material e divulgar nosso trabalho. A ideia é não esperar convites, e sim fazê-los.

MR – O que mudou em termos de sonoridade do álbum “The Last Angry Boys In Town” para o “Where Do The Wild Dogs Live?”?

Ricardo Ferreira – Em todo trabalho buscamos mostrar uma vertente diferente ou acrescentar novas ideias ao som que fazíamos. A história do “Where Do The Wild Dogs Live?” é bem legal, pois, como sempre, as músicas surgiram através da necessidade. Na segundo metade de 2016 nos vimos sem baterista novamente e encaramos alguns shows num formato diferente, utilizando bateria eletrônica e como gostamos muito o resultado sempre pensamos em registrar essa vontade de mostrar um lado diferente da banda em algum trabalho novo. Foi daí que surgiu esse novo EP, mesmo depois que já estávamos ensaiando e tocando com baterista novo. Já pensando em questões de influência, nos escutamos muito Vapowave para construir os timbres e texturas para esse EP, e resolvemos apostar de vez nos synths e teclados, coisa que surgiu no “The Last Angry Boys In Town” e que não existiu no nosso primeiro disco. Ele traz uma calma maior e detalhes bem legais que agregam bastante a nossa pequena discografia.

MR – O que vocês pretendem passar para o ouvinte que ouve as músicas da banda?

Ricardo Ferreira – Mostrar que você pode fazer tudo que você quer e ao mesmo tempo ter uma identidade própria. Nós sempre buscamos tirar as pessoas das zonas de conforto delas, e as músicas da OBR tentam atacar principalmente o conformismo, mas acreditamos também que as pessoas devem ter total apoio para buscar na música tudo que elas querem encontrar. Nossa música é de todos e eles precisam criar seu próprio entendimento.

MR – O videoclipe “Bag Of Bones” foi gravado todo em externa, nas ruas, mostrando pessoas aleatórias e com a letra da música marcada nos postes de luz da cidade. Qual foi a intenção?

Ricardo Ferreira – Para o clipe de “Bag Of Bones” pensamos em fazer algo a mais do que apenas mostrar os rostos anônimos que compõem nossa cidade, mas queríamos levar o conceito de “lyric video” além. Queríamos transformá-lo em algo que as pessoas poderiam tocar e ver no seu dia a dia; a mensagem estaria lá nas paredes, e bastava um pouquinho a mais de sensibilidade pra detectá-la. E gostamos muito do resultado, já que nosso música fala sobre nossa realidade, o que seria mais legal do que mostrá-la cru e secamente junto a nossa mensagem.

MR – Vocês acham que o rock evoluiu com o passar dos tempos?

Ricardo Ferreira – Sempre, o conceito de rock vem pra englobar e definir a música para facilitar na hora de pesquisá-la, mas ao longo dos anos muita coisa vem mudando. É bem óbvio, mas em momento nenhum podemos dizer que a música de hoje é melhor do que a do passado, acho que devemos tratá-la como igual, já que só podemos julgá-la no seu contexto natural.

MR – 3 bandas atuais de respeito.

Ricardo Ferreira – Atualmente pensando no cenário nacional gosto muito de Ventre, O Terno a pesar de não escutá-lo muito e Cidadão Instigado.

MR – Deixe uma mensagem para a galera leitora do blog e, para aqueles que assim como vocês fazem música em inglês.

Ricardo Ferreira – Espero que vocês curtam bastante nossa entrevista, podemos ter falado ou não muita merda, mas nunca nos leve tão a sério hehehe, foquem na música que temos muita coisa legal sendo planejada pra esse ano e muitas surpresas também. Você é livre pra escrever música em qualquer idioma; tanto para continuar trabalhando em inglês, como para misturar português com inglês e etc, o importante é a mensagem que vocês querem passar, cabe ao público entendê-la e transformá-la em algo novo pra ele. Abraço e tamo junto galera!!!

A formação é Ricardo Ferreira (guitarra e voz), Reinaldo Ferreira (guitarra e voz), Diego Fidelis (baixo), Felipe Portela (teclado) e Davy Nascimento (bateria).

 

Facebook: Old Books Room

Instagram: @oldbooksroom

Youtube: Old Books Room

Spotify: Old Books Room

Bandcamp: Old Books Room

Gostaram da banda? Deixe um comentário, um like, compartilhe com os amigos e Keepin’ On Rock!!!

 

Crazy Punk

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